sábado, 19 de fevereiro de 2011

A MENINA E O RADIO

Como ja disse aqui várias vezes, tive uma infância muito pobre, lá em casa não tinha nada de móveis eram apenas alguns potes de barro para armazenar água, dois ou três tamboretes (cadeira) de madeira e as redes de dormir, era um montes de criança pequena (são 14 irmãos) mas ninguem tinha brinquedos e brincavamos com sabugo de milho, ossos, pedra etc.

Mas quando eu já tinha mais ou menos uns 10 anos minha mãe começou a dar aulas no MOBRAL (alfabetização de adultos) e com o primeiro dinheiro que recebeu comprou um radio portátil a pilha e quando chegou em casa foi a maior festa lembro que ja era quase noite e que nesse dia a meninada quase não dormiu ouvindo esse rádio enquanto tinha emissora no ar e logo na madrugada ja estavam todos acordados, e meu pai com esse rádio no colo rodeado de menino admirando a conquista.

O tempo foi passando e minha mãe que era muito esforçada foi escolhida pela comunidade para ser a presidente do Clube de Mães (uma especie de ONG para assistir as famílias pobres) e depois de um tempo ganhou um brinde por seu desempenho um novo rádio, só que dessa vez era um rádio grande de marca famosa ABC de ouro era o que existia de melhor na época,  lembro até hoje do seu orgulho ao chegar em casa com esse prêmio, era o que todo mundo da comunidade gostaria de possuir, um rádio ABC de ouro.

Mas como dizem que alegria de pobre dura pouco, a dela durou pouco mesmo, logo logo esse rádio apresentou defeito e só falava quando queria nunca dava certo na hora que se queria ouvir o programa favorito, e assim ficou por muito tempo.

Então quando eu mudei para estudar em Caicó, falava muito desse rádio para a dona da casa que eu morava, e como era uma senhora muito generosa, um dia quando fui na casa dos meus pais ela me mandou trazer esse rádio para pagar o conserto, eu muito satisfeita trouxe, deixei na eletrônica e uma semana depois estava pronto, consertado, perfeito. Mandei nos carros da feira para entrgar a minha mãe e depois de alguns dias o problema voltou e minha mãe veio a Caicó trazer esse rádio para o conserto outra vez já que ainda estava no período de garantia do serviço.

Depois de uma semana estava pronto e lá fui eu buscar esse rádio na eletronica para mandar pra casa outra vez. Quando cheguei para pegar esse rádio, o homem que me entregou testou na minha frente estava tudo funcionando perfeitamente, e lá fui eu para a parada dos carros da feira com esse rádio na cabeça já que era bem grande e eu sempre fui baixinha, mas quando cheguei na parada dos carros que era um distância bem razoavel da eletrônica, resolvi testar antes de entregar ao portador, mas para minha decepção o rádio não funcionou, ai não tive outra alternativa a não ser voltar com o rádio na cabeça para a eletrônica e quando cheguei lá que o homem ligou o radio não tinha problema, funcionou normalmente.
Essa viagem se repetiu umas quatro vezes nesse dia, até que me zanguei e deixei o bendito rádio na eletrônica, mas infelizmente esse rádio que era o único devertimento de minha casa, nunca prestou, era sempre esse tormento e ficou assim por muitos anos até que depois minha mãe conseguiu comprar um outro rádio portátil.

Hoje eu trabalho numa concessionária de automóveis, e quando chega um cliente  reclamando de algum defeito em seu veículo e diz que quando chegou na loja o defeito sumiu, eu sempre lembro desse episódio, e dependendo da intimidade que tenho com a pessoa, conto essa história que é motivo de muitas e boas risadas.