segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mãe eu assinei sua carteira






Ontem vendo a reportagem exibida no  Fantástico da Rede Globo lembrei-me de um acontecimento quando o meu primeiro filho tinha mais ou menos três anos.

Quando me casei, ja trabalhava e continuei mesmo depois de ter filho (faço isso até hoje). Quando nasce o primeiro filho a gente tem muitas dúvidas e medos, eu tinha tanto medo que me separassem de meus filhos e que eles quando crescessem não  lembrassem de mim que acabei passando isso para eles (um grande erro) num grau muito maior para Dinobergh que foi o primeiro.

Todos os dias quando eu ia sair para trabalhar era aquele chororô, normalmente eu saía escondida, porque quando ele via não tinha jeito ele chorava e eu inexperiente voltava duas, três vezes,  aí  era que ele chorava,
muitas vezes eu andava dois quarteirões ouvindo o choro dele e meu coração doendo, mas não tinha outra escolha.

Ele foi crescendo,  era uma criança muito esperta, bem entendido para a sua idade eu conversava muito com ele, quando recebia o salário mostrava para ele, quando ia fazer a feira  o levava  junto e explicava porque precisava sair para trabalhar e dizia que o amava muito,  aproveitava todos os minutos de folga para estarmos juntos e assim a vida seguia  até que um dia eu precisei levar minha carteira de trabalho para umas anotações e ele quis saber o que era, então expliquei.

Para minha surpresa certo dia, ele chegou todo feliz com minha Carteita de Trabalho na mão para me mostrar dizendo assim:
Mainha, você agora não precisa mais ir rabalhar eu ja assinei sua carteira, eu parei e arregalei os olhos e ele disse: já olhe aqui, tinha rabiscado uma página inteira, quando ví  quase caí, a primeira coisa que passa pela cabeça numa hora dessas,  é largar tudo e ficar em casa só para cuidar daquela criança linda, pura e inocente que acha que um simples rabisco resolve tudo.

Não lembro como foi que saí dessa saia justa, mas o fato é que continuei  trabalhando porque era preciso porque só o amor não alimenta.
Sei que sentiram muito aminha falta, mas procurei suprir da melhor forma que pude, não fui a mãe perfeita porque para educar além de amor e carinho se faz necessário  também ser energico de vez em quando.